terça-feira, 18 de junho de 2024

Veja como está o andamento do Censo Demográfico 2022

O Censo Demográfico é uma pesquisa realizada a cada dez anos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cujo objetivo é contar a população brasileira, identificando suas características e produzindo informações que podem servir como base para a decisão de políticas públicas, além de contribuir com as ações do setor privado através dos dados coletados. O censo anterior foi realizado no ano de 2010 e o atual teria sido realizado em 2020, porém, devido à pandemia da Covid-19, sofreu dois adiamentos. Tendo em vista a importância do Censo para o país, sua realização representa uma conquista em meio a tantas dificuldades que precederam seu início.

O Sindicato do IBGE, no ano passado, manifestou sua preocupação com os cortes na verba destinada ao Censo, dos 2 bilhões previstos, apenas 71 milhões foram aprovados pelo Congresso Nacional e posteriormente, outro veto do governo Bolsonaro, reduziu esse recurso para apenas 53 milhões, contribuindo para os atrasos no pagamento das ajudas de custo e ainda falta de equipamentos. Somente no primeiro mês do Censo, mais de 6 mil recenseadores pediram demissão do cargo. No Ceará, 517 desistiram da função. O superintendente da unidade cearense do Censo, Francisco Lopes, afirma que os motivos são diversos, entre eles a não adaptação ao local de trabalho, bem como as dificuldades encontradas nos Setores Censitários, como, por exemplo, a recepção negativa dos moradores.

“Sobre as dificuldades no início do censo, teve em relação ao atraso dos primeiros pagamentos. Onde tivemos que arcar com os gastos de transporte e dependendo dos setores, alimentação também. Isso antes mesmo de receber algum pagamento ou ajuda de custo. Além disso, tinham as dificuldades em campo, como a dificuldade de encontrar as pessoas em casa durante o horário comercial, tendo que retornar muitas vezes à noite ou nos finais de semana. E ainda, a desinformação das pessoas em saber o que era o Censo, por isso, muitos eram resistentes a prestar as informações ou até mesmo se recusavam a responder”. Afirmou o Gabriel Oliveira, recenseador na cidade de Juazeiro do Norte. Apesar das dificuldades ele avalia a experiência de forma muito positiva, “Mesmo com as dificuldades, é uma experiência incrível, pois ver na prática como é a realidade no nosso país é algo bem diferente. As diferenças na qualidade de vida entre algumas famílias foi o que mais me surpreendeu”. Destacou.

Não só os recenseadores, mas principalmente os supervisores do censo têm tido dificuldades para realizar seu trabalho.  A Sara Costa, supervisora de uma equipe de recenseadores, conta um pouco sobre a sua experiência, “Então, na minha experiência e na visão que consigo ter a partir da minha posição, recensear a população de Juazeiro do Norte está sendo uma tarefa um pouco complicada, encontramos muitas dificuldades de acessar os moradores e passar confiança para que eles respondam às perguntas. Claro que isso tem a ver com os, cada vez mais frequentes, golpes envolvendo uso de informações pessoais que causam prejuízos a quem cede os dados. Estamos, desde o início do Censo, buscando formas de que os recenseadores passem a confiança que as pessoas precisam para responder às perguntas tranquilamente, mas esse tem sido o principal desafio. Outras dificuldades em acessar os moradores é devido às recusas em responder à pesquisa por vários outros motivos. O que na maioria dos casos, seria resolvido se a população fosse mais bem informada sobre o que é o censo. Apesar das dificuldades, tem sido gratificante trabalhar nessa operação, devido à importância que ela tem para o desenvolvimento do Brasil e também de cada município” Declarou Sara.

O censo de 2022 iniciou no dia 1° de agosto e a maioria dos estados brasileiros estão com o progresso entre 25% e 50%, segundo dados do próprio IBGE. Os estados do Mato Grosso, Roraima e Acre até o momento são os que estão com o menor índice de conclusão de cadastros, com média de até 24,9%. Já o Amazonas, Piauí, Rio Grande do Norte e Alagoas estão com médias mais elevadas, com cerca de 75% concluídos. O Ceará também apresenta progresso mediano. A maioria dos municípios, principalmente no sul do estado, estão com mais de 70 pontos percentuais, destes apenas três localidades estão com 100% de conclusão,  os municípios de Itaiçaba, São João do Jaguaribe e Deputado Irapuan Pinheiro. Juazeiro do Norte está, atualmente, com 63.2% de setores concluídos e 32.2% em andamento. Crato e Barbalha estão com 66.3% e 77.2% respectivamente.

Os cadastros são realizados pessoalmente pelos recenseadores que visitam os domicílios e entrevistam as famílias. Caso o morador não esteja no momento da visita, é deixado um papel com o telefone de trabalho do recenseador para que o morador entre em contato, ao todo são realizadas até quatro visitas. Para confirmar a identidade do recenseador, o morador pode entrar no site respondendo.ibge.gov.br e inserir o número de matrícula, RG, ou CPF do mesmo. Há também a opção de fazer o cadastro através do telefone do Centro de Apoio ao Censo (CAC), o 0800 721 8181, que conta com 180 agentes censitários.

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