terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Prótese de silicone pode causar câncer? Entenda o caso raro que reacendeu o debate

O relato recente de uma influenciadora que desenvolveu um câncer raro associado à prótese de silicone voltou a colocar o tema no centro das discussões. A história rapidamente se espalhou pelas redes sociais e levantou dúvidas entre mulheres que já possuem implantes ou que pensam em colocar próteses: afinal, o silicone pode causar câncer?

A resposta, segundo especialistas, exige cautela e contexto. O cirurgião plástico Dr. Luiz Anizio Wanna explica que os tumores relacionados à prótese existem, mas são extremamente raros e não devem ser confundidos com o câncer de mama tradicional.

“É fundamental entender a proporção real dos números. O câncer associado à cápsula da prótese é raríssimo quando comparado ao câncer de mama comum, que continua sendo uma das principais causas de morte entre mulheres”, afirma o médico.

Um tipo de câncer raro e pouco frequente

O caso recente trouxe à tona o carcinoma espinocelular associado à cápsula da prótese, um tipo de tumor extremamente incomum. De acordo com dados citados pelo especialista, apenas cerca de 20 casos desse tipo de câncer foram descritos em todo o mundo nos últimos 30 anos.

Para efeito de comparação, os números do câncer de mama tradicional são muito maiores.

No mundo, surgem aproximadamente 2,3 milhões de novos casos de câncer de mama todos os anos. Só no Brasil, são cerca de 73 mil novos diagnósticos anuais e aproximadamente 18 mil mortes por ano relacionadas à doença.

“Quando colocamos os números lado a lado, percebemos que estamos falando de situações completamente diferentes em termos de frequência. Em 30 anos, tivemos cerca de 20 casos descritos de câncer relacionado à cápsula da prótese, enquanto o câncer de mama comum atinge milhões de mulheres todos os anos”, explica o Dr. Wanna.

O papel do acompanhamento médico

Apesar de raros, os tumores associados à prótese reforçam a importância do acompanhamento regular. Toda paciente que possui implantes mamários deve realizar exames periódicos para avaliar tanto a integridade da prótese quanto a saúde da mama.

Entre os principais exames indicados estão:

  • ultrassonografia das mamas
  • mamografia
  • ressonância magnética, quando necessário

“O controle é fundamental. Não se trata de ter medo da prótese, mas de acompanhar o organismo ao longo dos anos. O implante não é um dispositivo vitalício e precisa de avaliação periódica”, orienta o especialista.

A prótese também pode fazer parte da prevenção do câncer

Um dos pontos menos conhecidos do público é que o implante mamário, em determinados casos, faz parte da estratégia de prevenção ou tratamento do câncer de mama.

Mulheres com alto risco genético, por exemplo, podem ser submetidas à chamada mastectomia preventiva, cirurgia em que grande parte da glândula mamária é retirada para reduzir drasticamente o risco de desenvolver a doença. O caso mais famoso foi o da atriz Angelina Jolie.

Após a retirada da glândula, a mama é reconstruída com prótese, normalmente posicionada atrás do músculo.

“Quando retiramos praticamente toda a glândula mamária, o risco de câncer cai de forma significativa, podendo se aproximar de zero em muitos casos. A prótese, nesse cenário, não é um problema, ela faz parte da solução”, explica o Dr. Luiz Wanna.

Mesmo quando não é possível remover toda a glândula, a retirada de cerca de 90% do tecido já reduz de forma importante o risco de câncer.

Quando o explante é indicado

O explante mamário, ou retirada da prótese, pode ser necessário em algumas situações médicas. Entre as principais indicações estão:

  • ruptura do implante
  • contratura capsular avançada
  • infecções ou inflamações persistentes
  • dor crônica
  • diagnóstico de tumores associados à prótese
  • desejo da paciente, após avaliação médica

O explante não deve ser tratado como tendência ou movimento estético, mas como uma decisão médica individualizada. Cada caso precisa ser analisado com cuidado. Há pacientes que realmente precisam retirar a prótese, mas também há muitas que podem mantê-la com segurança, desde que façam acompanhamento adequado.

Informação, não pânico

O caso recente serve como alerta, mas também como oportunidade para ampliar o debate sobre saúde mamária e acompanhamento a longo prazo.

A principal mensagem, segundo o Dr. Luiz Anizio Wanna, é de equilíbrio:

“Não podemos tratar a prótese como vilã, porque ela é segura e, em muitos casos, faz parte da reconstrução e da prevenção do câncer de mama. O mais importante é o acompanhamento regular e a orientação com um especialista.”

Em um cenário em que milhões de mulheres enfrentam o câncer de mama todos os anos, a informação correta continua sendo a melhor forma de prevenção, com ou sem prótese.

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