terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Problemas de visão podem atrapalhar desempenho escolar das crianças

As aulas começaram e agora é o melhor momento para levar as crianças ao oftalmologista para um exame de vista de rotina. Inclusive, é crucial investigar se a criança tem algum problema de visão, já que isso pode interferir no processo de aprendizagem.

Segundo a Dra. Marcela Barreiraoftalmopediatra especialista em estrabismo, a visão tem um papel central no processamento das informações, especialmente na infância, quando o cérebro está em pleno desenvolvimento.

Estima-se que cerca de 70% a 80% das informações que chegam ao cérebro são mediadas pelo sistema visual. Isso significa que ler, escrever, reconhecer rostos, interpretar expressões faciais, perceber o espaço, aprender formas, cores, letras e números dependem diretamente de uma boa qualidade visual integrada ao cérebro.

“Portanto, a visão é parte essencial da aprendizagem e do desenvolvimento da criança como um todo. Sendo assim, quando a criança tem um erro refrativo, por exemplo, pode apresentar muitas dificuldades na escola, especialmente na fase da alfabetização”, comenta a especialista.

Erros Refrativos são os principais problemas de visão na infância

Segundo o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), os erros refrativos não corrigidos, como a miopia, o astigmatismo e a hipermetropia, são as principais causas de deficiência visual entre as crianças brasileiras. A baixa acuidade visual afeta por volta de 5,5% das crianças em idade escolar. Em 80% dos casos, basta o uso de óculos para corrigir o problema.

Crianças não reclamam

As crianças podem reclamar de muita coisa: de sono, de fome, de não poder brincar mais ou de não ganhar um brinquedo. Contudo, os pequenos não costumam se queixar de problemas na visão. Na verdade, a criança costuma reportar os sinais indiretos, ou seja, as manifestações decorrentes de alguma alteração na visão.

“Elas podem se queixar de dor de cabeça, podem se machucar ou esbarrar em objetos com mais frequência, podem ter mais sensibilidade à luz, podem ter dificuldade de escrever, ler, desenhar, recortar, entre outras condições decorrentes de problemas visuais”, explica Dra. Marcela.

Vale lembrar que como a criança não tem referência do que é enxergar bem ou mal, o olhar atento dos educadores é essencial para alertar os pais sobre a necessidade de procurar um oftalmologista infantil.

Como os professores podem notar alterações visuais dos alunos

“Normalmente, as crianças com problemas na visão costumam pedir ao professor para se sentar perto do quadro. Também costumam apertar os olhos, na tentativa de enxergar. Em outros casos, são alunos que preferem copiar o conteúdo do caderno os colegas, em vez de copiar diretamente do quadro”, alerta Dra. Marcela.

Adicionalmente, são alunos que erram com frequência letras, números ou outros conteúdos ao copiar o quadro. Desse modo, todos esses sinais podem indicar que a criança possui algum erro refrativo, como miopia, astigmatismo ou hipermetropia.

Queda no rendimento escolar pode estar associado a problemas na visão

Os problemas de visão têm um impacto significativo na capacidade de a criança aprender e de se comportar em sala de aula.

“Sendo assim, a compreensão por parte dos professores sobre a conexão entre os problemas de visão e o comportamento disruptivo em sala de aula é crucial.  Isso é ainda mais relevante, pois permite que os educadores consigam ajudar a criança no desempenho acadêmico e no desenvolvimento global”, reforça Dra. Marcela.

Outro aspecto importante é que quando a criança não enxerga bem, ela pode apresentar comportamentos que podem ser confundidos com transtornos do neurodesenvolvimento, como o TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade).

“O aprendizado de uma criança com problemas de visão pode ser mais cansativo. Isso, por sua vez, pode levar o aluno a ter dificuldade de acompanhar as explicações, ele pode demorar mais para copiar as tarefas, pode manifestar desinteresse por atividades de leitura e escrita e, claro, ter um desempenho ruim em geral”, comenta Dra. Marcela.

Além dos erros refrativos

Para além da miopia e demais erros refrativos, na infância podem surgir condições como o estrabismo e a ambliopia (olho preguiçoso). “Nesses casos, a criança pode apresentar os mesmos sinais de que falamos acima, bem como queixas de visão dupla, problemas de coordenação motora e busca por posições do pescoço ou cabeça na tentativa de enxergar melhor”, conta Dra. Marcela.

Crianças com estrabismo podem apresentar desvio do olho para dentro, para fora, para cima e para baixo. Já ambliopia pode levar aos mesmos sinais que citados acima.

Conclusão

Os educadores e professores possuem papel crucial para identificar os sinais de que a criança pode ter algum problema na visão. Normalmente, essas condições se tornam mais evidentes a partir dos 6 anos, fase da alfabetização. Portanto, o conhecimento dos sinais que indicam condições oftalmológicas ajuda não só os educadores, como os pais a procurarem um oftalmologista.

“Vale lembrar que quanto antes ocorre o diagnóstico, melhores serão os resultados do tratamento. Por isso, recomendamos que os pais levem o bebê para uma consulta de rotina desde o primeiro ano de vida. Após esse primeiro exame, o ideal é levar a criança anualmente, especialmente, nas fases pré-escolar escolar”, finaliza Dra. Marcela.

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