Entre os dias 9 e 12 de junho acontece a 27ª edição do DFB Festival, o maior evento de moda autoral da América Latina. Este ano, um dos designers convidados pela produção do evento é o caririense Alan Araújo, diretor criativo da marca 407 AA. Com a coleção “Patuá”, Alan leva às passarelas do DFB, no dia 12 de junho, peças que transmitem fluidez, versatilidade, fé popular e autocuidado.
No ano passado, Alan esteve no evento como egresso da Universidade Federal do Cariri. “Em meio à muita produção coletiva dos ex-alunos, eu resolvi apresentar uma coleção sozinho. Óbvio que com mil parcerias com o pessoal daqui [do Cariri], mas uma coleção toda encabeçada por mim”. A coragem rendeu olhares de confiança no trabalho de Alan e uma visibilidade que ele ainda não conhecia. Na ocasião, o Cláudio Silveira, o idealizador do DFB Festival, falou que convidaria Alan para compor a line-up oficial da edição 2026. “Antes de eu entrar em contato com eles, já me procuraram para integrar o line up oficial do DFB com a minha marca ”. Shayná Moura, produtora da 407 AA, diz que este convite reafirma a potência criativa da marca. “É um evento que oferece toda uma estrutura de modelos, cabelos, maquiagem, camarim… Então, é um espaço disputado por muitos profissionais. Ser convidado para estar lá só reafirma o talento de Alan e o potencial da 407 AA”.
Coleção Patuá
Tudo começou com o interesse em mergulhar e pesquisar sobre as benzedeiras/mezinheiras: símbolos de fé, cura e espiritualidade tão presentes em todo o país, mas com uma presença muito forte no Cariri cearense. “Eu tenho a lembrança de crescer ouvindo ‘esse menino deve estar com vento caído, precisa levar pra benzer’”, conta Alan, ao revistar estas memórias.
Ele, que também é amante de atividades físicas, acredita que, cuidar do corpo, também é uma forma de proteção e autocuidado. “Patuá fala muito sobre processos de cura, sobre a procura por um equilíbrio nessa vida agitada e hiper conectada em que vivemos. Além de eu mesmo estar vivendo esses processos, enxergo muitas pessoas à minha volta vivendo o mesmo: seja pela espiritualidade, pelo exercício físico, pela reconexão com a natureza… Então, essa coleção se trata exatamente disso: o que usar enquanto estamos passando por esses processos?”, reflete.
A coleção caminha por diferentes lugares e texturas, tão presentes no Cariri cearense. A poesia das cenas do cotidiano, como as “senhoras de igreja”, também está presente em Patuá “Temos a famosa imagem da senhorinha com sua camiseta de santo, com o saco de feira, comumente usado como bolsa; a renda branca na mesa do altar; a tecelagem artesanal, tão usada em tapetes; os drapeados, em alusão às nascentes, fontes de vida encontradas na nossa Chapada do Araripe… E, ao mesmo tempo em que mergulhamos nestes signos culturais, a coleção tem uma vibe esportiva, confortável”, conta.
O compromisso com práticas de reaproveitamento de materiais também é um ponto de destaque de “Patuá”. As tecelagens artesanais presentes em algumas peças foram produzidas a partir dos refugos e retalhos dos próprios tecidos utilizados na coleção, transformando o que seria descartado em elementos de identidade e acabamento. Na parte dos acessórios, as bolsas de madeira foram desenvolvidas em parceria com o Mestre Aécio de Zaira, da cidade do Crato. Uma colaboração que amplia o diálogo entre a moda autoral e os saberes artesanais do Cariri.
“Roupa é voltar para casa. Voltar para si”
Filho do Cariri, com raízes em Nova Olinda e Crato, o designer já caminha há 10 anos construindo sua identidade na joalheria e moda autorais. O nome da marca surge de um resgate de memórias, onde ele volta para casa da sua avó, na cidade de Nova Olinda, “A casa de minha avó Mina tinha a numeração 407. Foi o lugar onde tudo começou e de onde vieram as primeiras ideias das peças que produzi. Formando assim um endereço, finalizando com as iniciais do meu nome”.
O diretor da 407 AA diz que almeja sim maiores projeções, mas que não abre mão de se conectar com os processos, com a memória do Cariri e com os clientes. “Eu ainda não vejo a marca como aquela coisa super grande. Eu quero que realmente você tenha sempre aquele gostinho de… sabe quando você vai na costureira da rua de trás, que você sempre toma um café? Esse gostinho de memória mesmo. E, ao mesmo tempo, quando eu falo também da memória do Cariri, não é só aquela coisa enraizada. Sempre tem a imagem da senhorinha, das memórias de antes, mas falo também de um Cariri contemporâneo, que conversa com quem está pelo mundo”, pontua.
Cariri nipônico
Numa conversa entre Alan e outras pessoas do meio do design, a diretora de arte, Olívia Gerônimo, disse que a 407 AA é o “Cariri nipônico” e, de fato, as peças têm muitas referências japonesas. “Eu fui aquela criança Otaku, que cresceu assistindo anime na televisão. Então, essas referências continuaram comigo e eu gosto muito da moda japonesa, realmente. Isso vem na coleção, enquanto referência no visual e enquanto modelagem. Em ‘Patuá’, as estampas de santos vem com esse estilo de anime”, explica.
Você pode deixar mais neutro e focado nas contribuições criativas:
O desfile de “Patuá” é resultado de um processo criativo colaborativo. O styling é assinado por Elson Damas, com produção de Shayná Moura. As joias são criação de Aglaíze Damasceno, que desenvolveu peças de joalheria contemporânea inspiradas no pássaro Soldadinho-do-araripe. As estampas foram desenhadas por João Cortes e a trilha sonora original leva a assinatura de Lumdum.
O desejo, agora, é aproveitar a visibilidade de integrar a line-up do DFB e aproveitar as oportunidades que virão. “É uma honra fazer parte de um evento tão relevante como o DFB. Queremos estar cada vez mais presentes na vida dos nossos clientes, compartilhando memórias, participando e construindo novas histórias. Sempre com muito conforto, trazendo peças que abraçam diferentes corpos”, revela.




















