sexta-feira, 22 de maio de 2026

Antibiótico ou anti-inflamatório: quais os riscos da automedicação?

A automedicação ainda é uma prática comum no Brasil e representa um problema sério de saúde pública. Mesmo com maior acesso à informação, o uso de medicamentos por conta própria costuma trazer consequências graves, especialmente quando há confusão entre tipos de doenças e tratamentos. Isso acontece porque, geralmente, infecções e inflamações apresentam sintomas semelhantes, mas podem ter origens diferentes, sendo causadas por vírus ou bactérias. Essa distinção é fundamental para definir o procedimento adequado.

Por exemplo, os antibióticos são indicados para infecções causadas por bactérias e sua ação pode as eliminar diretamente, impedindo a proliferação. Devido a essa característica, eles são voltados para tratamentos fortes, em um determinado período e dosagem. Contudo, é importante ressaltar que o organismo contém bactérias saudáveis e elas também são eliminadas com os agentes responsáveis pelas patologias.

Para o microbiologista Raimundo Luiz, docente do curso de Enfermagem do UNINASSAU – Centro Universitário Maurício de Nassau Juazeiro do Norte, é essencial buscar diagnóstico adequado antes de iniciar qualquer medicação. “O uso frequente e inadequado de antibióticos faz as bactérias se adaptarem. Atualmente, medicamentos que antes exigiam menos doses já apresentam tratamentos mais longos, justamente por causa dessa resistência”, explica.

Além disso, o uso incorreto ou prolongado contribui para um problema crescente: a resistência bacteriana. Quando expostas de forma inadequada aos antibióticos, as bactérias podem sofrer mutações e se tornar mais resistentes, dando origem às chamadas superbactérias. Outro ponto de atenção é que esses medicamentos não têm efeito contra vírus, sendo ineficazes em casos de gripe e resfriado. Nessas situações, o uso não apenas é inútil, como há a possibilidade de trazer prejuízos ao organismo.

Na tentativa de reduzir esses riscos, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) passou a exigir, desde 2010, a retenção de receita médica para a venda de antibióticos. Ainda assim, a automedicação segue elevada. Segundo o Ministério da Saúde, nove em cada dez brasileiros admitem fazer uso sem orientação profissional. Esse comportamento tem impacto direto no aumento de doenças resistentes. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma em cada seis infecções comuns já apresenta algum nível de resistência a tratamentos convencionais.

“Quando o paciente apresenta infecções recorrentes, é necessário investigar a causa. Com o exame correto, é possível indicar um antibiótico específico, com base no antibiograma, evitando o uso de medicamentos de amplo espectro, que afetam também bactérias benéficas do organismo”, completa o especialista.

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