A urgência climática, a crise hídrica e a pressão crescente sobre territórios onde vivem milhões de brasileiros colocam a Mata Atlântica no centro da importância do debate público. Em resposta a esse cenário, o Fundo Casa Socioambiental anuncia a abertura da chamada Mata Atlântica Viva – Apoiando Soluções para Conservação e Regeneração 2026, iniciativa nacional que chega à sua terceira edição consolidada e com resultados concretos no território.
Com inscrições abertas até 25 de março de 2026, a chamada vai destinar mais de R$ 2,5 milhões para apoiar até 42 projetos comunitários, com valores de até R$ 60 mil cada, voltados à restauração florestal, geração de renda, incidência em políticas públicas e prevenção de desastres climáticos.
Um bioma decisivo para o Brasil
Presente em 17 estados e responsável por serviços ambientais essenciais, a Mata Atlântica abastece mais de 100 milhões de pessoas e concentra cerca de 72% da população brasileira. Apesar de sua importância estratégica, conserva apenas 31% de sua cobertura natural, e continua perdendo, em média, 190 mil hectares por ano, segundo dados recentes do MapBiomas.
Esse cenário coloca o bioma como uma das frentes mais críticas e ao mesmo tempo mais promissoras para ações de restauração ecológica, adaptação climática e fortalecimento de economias locais sustentáveis.
Desde 2023, quando a iniciativa foi lançada, a chamada já apoiou 98 iniciativas comunitárias, somando quase R$ 5 milhões em apoios diretos. Os projetos abrangem desde sistemas agroflorestais e recuperação de nascentes até redes comunitárias de prevenção a desastres e iniciativas lideradas por mulheres e povos tradicionais.
A nova edição busca ampliar esse impacto, priorizando organizações locais e redes comunitárias que atuam na linha de frente da conservação e da adaptação climática, reforçando o protagonismo de quem vive e cuida dos territórios.
O que está em jogo
A chamada busca fortalecer temas que estão no centro da agenda pública e midiática:
- segurança hídrica e climática
- recuperação de áreas degradadas
- geração de renda em territórios vulneráveis
- participação social em políticas ambientais
- soluções locais para eventos climáticos extremos
Ao conectar conservação ambiental com desenvolvimento local, a iniciativa evidencia um caminho concreto para enfrentar simultaneamente crise climática, desigualdades sociais e perda de biodiversidade, temas cada vez mais presentes no debate nacional e internacional.
Projeto indígena restaura mata ciliar do Rio Maciambu e fortalece proteção da água na Serra do Tabuleiro
Um exemplo de projeto que demonstra, na prática, como a restauração ambiental pode caminhar junto ao fortalecimento comunitário é o Refloresta Maciambu, desenvolvido pelo Instituto Tabuleiro na Terra Indígena Maciambu, na Aldeia Pira Rupá, em Palhoça. A iniciativa atuou na recuperação da mata ciliar do Rio Maciambu, área estratégica para a proteção da água e da biodiversidade no entorno do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro.
Ao longo do projeto, mais de mil mudas de espécies nativas e de valor cultural foram plantadas em mutirões que reuniram moradores da aldeia, voluntários e parceiros, somando 183 participantes diretos. A iniciativa também promoveu oficinas de diagnóstico socioambiental, etnobotânica e viveiragem, fortalecendo a transmissão de conhecimentos tradicionais e ampliando a capacidade local de manejo e produção de mudas.
Além dos ganhos ambientais, como a recomposição inicial da vegetação ciliar e o aumento da diversidade de espécies, o projeto gerou impactos sociais importantes, incluindo remuneração para moradores, engajamento de jovens e mulheres e maior articulação com parceiros regionais. Experiências como essa evidenciam que apoiar iniciativas comunitárias em territórios estratégicos é fundamental para a Mata Atlântica: ao fortalecer quem vive e cuida do território, os resultados se expandem para além da área restaurada, contribuindo para a resiliência climática e a conservação do bioma como um todo.
Confira a chamada completa: https://casa.org.br/chamadas/mata-atlantica-viva-apoiando-solucoes-para-conservacao-e-regeneracao-2026/
Quem pode participar
Podem se inscrever organizações sem fins lucrativos de todo o país que atuem no bioma Mata Atlântica, incluindo associações comunitárias, coletivos e organizações que representem povos indígenas, quilombolas, pescadores artesanais, agricultores familiares, comunidades periféricas urbanas e outros grupos tradicionais.

















